Minha saída do MPB4

Gostaria de esclarecer, a respeito da matéria no  Segundo Caderno (11/9), que   não saí do MPB4 alegando isolamento. Saí porque o Miltinho se apossou do grupo e me isolou.  Fui obrigado a sair.

Nunca pedi 25% de nada e nem quero ganhar sem trabalhar, como foi dito.

Fiz realmente uma ação reinvidicando os meus direitos sobre a marca MPB4:  qual seria a demanda para shows dos três, e mais quem seja, sem a marca MPB4?

Como se sabe, cinco dias depois da minha saída o Magro pediu o registro da marca em nome dele.              

Pois bem, no começo da ação o juiz, sabiamente, concedeu a tutela antecipada, ou seja: que eles depositassem 20% (e não 25%) dos seus ganhos em juízo até o final do processo; decisão mantida pelos srs. desembargadores. E saibam que eles levaram um tempo desobedecendo à ordem judicial.

Hoje, já com 70 anos, só quero reaver, de alguma maneira, meus direitos sobre a marca que ajudei a criar e sedimentar durante mais de 40 anos, trabalhando muito.

O processo continua seguindo seus trâmites na Justiça e eu não gostaria mais de falar sobre o assunto.
Só espero estar vivo pra ver o resultado.

RUY FARIA – CARTA AOS LEITORES – O GLOBO – 19/9/2007

A carta acima é uma tentativa de dar um basta nas matérias que andam sendo “plantadas” na imprensa.

Pois é, depois de quase quarenta anos, saí do MPB4.  Dentre vários motivos, o pior foi porque, pela segunda vez, contra a minha vontade, me impuseram o Miltinho como nosso produtor e empresário.

Agora, só pra ilustrar, vejam o que o Miltinho (o empresário imposto) declarou, logo depois que eu saí, ao Diário do Nordeste:

Repórter- No texto, ele (eu) afirma que chegou um momento em que ele sempre perdia por 3 a 1.

Miltinho – Então? Três a um é democracia. Então era o que ele tinha que ter feito mesmo, pegar a trouxa e ir embora.

Não me agrada falar nisto, mas como sempre me perguntam, aí vão trechos da carta que os enviei e alguns curiosos acontecimentos que se seguiram.

“Aquiles, Miltinho e Magro. Depois de muito sofrimento e angústia, aqui estou eu tomando uma decisão que jamais esperei ter que tomar um dia…. no limiar deste século as coisas foram ficando, a cada dia, piores e mais difíceis para mim. …a principal delas foi que, pela segunda vez, me impuseram o Miltinho como nosso produtor e empresário, embora sabendo que eu sempre fui contra.

Nestas circunstâncias, entendi que não adiantaria mais participar de qualquer reunião, pois seria sempre voto vencido. Isolado e descontente, busquei por todos os caminhos, alguma maneira de continuar trabalhando profissionalmente, ainda que de forma passiva nas decisões, para preservar a fonte do meu sustento.

Afinal estavam em jogo 40 anos de imensa dedicação, prazer e orgulho. Resisti bastante, mas meu espírito guerreiro já não está conseguindo mais superar este isolamento, este desconforto e esta atroz sensação de impotência.

Pois aí está. Hoje, muito infeliz, e acuado desta maneira, não vejo outra saída, senão, aos 66 anos, me ver impelido a este perigoso e apavorante salto no escuro. Prevejo que nessa idade vai ser muito difícil a minha subsistência; assim, penso demandar alguma parcela dos ganhos gerados por esta entidade, que ajudei a construir durante quase dois terços da minha existência. É isso aí, não dá mais, estejam livres.

Boa sorte! Ruy, Natal de 2003/Janeiro de 2004. …

PS1.: Por favor, me comuniquem os compromissos já assumidos ou apalavrados, pois tenciono cumpri-los todos, com o empenho de sempre; exceto relativos novos projetos para o grupo.

PS2.: Se quiserem, estou à disposição para conversar a respeito, com todos, individualmente ou com qualquer representante. “

E aí, o quê aconteceu?

1 – No dia seguinte à carta, o Miltinho enviou-me o seguinte e-mail: “Ruy, ao ler sua carta,…. verifiquei que ficou faltando sua assinatura. Como se trata de uma decisão importante para todos nós, peço-lhe que, assim que for possível nos mande a carta devidamente assinada.” (Louco pra ter certeza que eu ia embora mesmo, ou não?)

2 – Plantaram uma matéria facciosa, publicada no O Globo de 31/1.

3 – No dia 29/1 (5 dias depois da carta), o Magro fez um registro da marca MPB4, em seu nome, no INPI.

4 – Puseram, em tempo recorde, um substituto no meu lugar. Curiosa também foi a sua declaração de que, logo ao tomar conhecimento da minha saída, intuiu que entraria no meu lugar.